Na aula de segunda-feira (15/05) realizamos uma sintegração para discutir o livro Lições de Arquitetura do Herman Hertzberger. O objetivo da dinâmica era a troca de conhecimento e perspectivas sobre o livro sem a hierarquia produzida por uma assembleia tradicional de debate. Assim, fomos divididos em grupos e temas e ambos eram alterados a cada rodada, sendo 4 rodadas no total com 25 minutos cada. Além disso, cada rodada os grupos iam para um local distinto da faculdade e os participantes tinham funções diferentes: debatedor, crítico e observador. Particularmente, gostei mais de ser debatedora porque é a função que permite uma maior interação com o tema em questão, já que o crítico acaba sendo muito breve, apontando somente detalhes esquecidos e que muitas vezes não são de tanta relevância, e o observador não pode opinar, o que eu não fui capaz de fazer e acabei fazendo parte da discussão também. Logo, em geral, a dinâmica de sintegração foi uma experiência bem rica, embora o tempo tenha sido mais do que o necessário levando em consideração a pequena extensão dos temas.
Com relação a discussão do livro em si, participei dos seguintes temas: Visão I (escada segundo andar), Visão II (pátio DA), Incentivos; Forma como instrumento (Hall elevador) e Público e privado; Demarcações Territoriais; Diferenciação Territorial; Zoneamento Territorial; De usuário a morador (corredor em frente à sala 301). Nos dois primeiros, o foco do autor é apontar a relação entre o exterior e o interior de um espaço e dos seus diferentes usuários em relação a visibilidade, a questão do balanço entre privacidade e integração e o diálogo entre as pessoas do lado de fora e do lado de dentro de um ambiente. Como descrito no livro, cada local tem uma demanda de exposição ou não exposição distinta de acordo com a localização, função e usuários do local. Por vezes a visibilidade é importante para a segurança ou para o incentivo ao convívio interpessoal, já em outras é essencial um grau de opacidade para inibir desconfortos ou garantir um espaço de isolamento. Portanto, seguindo essa premissa, argumentamos sobre se os espaços em que estávamos articulavam de forma a contribuir ou atrapalhar a demanda de visibilidade daquele local e como isso acontecia. Para exemplificar, o pátio do DA é aberto tanto para as janelas das salas ao seu entorno como aos prédios em volta da Escola de Arquitetura, ou seja, é extremamente transparente para o exterior. Contudo, a visibilidade de dentro do pátio para esses ambientes externos é bem mais limitada, o que demonstra que não existe um diálogo entre interior e exterior, já que existe uma hierarquia entre os dois, isto é, um vê mais que o outro. Já o tema de Incentivos e Forma como instrumento é provavelmente o mais rico dos capítulos e que mais me despertou interesse. A apropriação de um espaço está muito ligada com as possibilidades que ele proporciona, muito mais do que com sua função original. Pode até ser que ele seja usado em sua função, mas assim que o usuário a terminar, deixa o local. Já um espaço convidativo atrai muito mais permanências mesmo que não esteja em uma posição tão privilegiada ou funcional. O maior exemplo dessa ideia de incentivo, forma e apropriação espacial é a escada. Projetada para o deslocamento de pessoas entre alturas/andares acaba por se tornar um local para alunos se sentarem durante intervalos, pessoas descansarem nas ruas ou até para um piquenique (se for uma escadaria externa), as possibilidades são infinitas. Dessa forma, a escada é muito mais um local de permanência do que uma sala pertencente ao mesmo espaço, ou seja, há uma inversão de papéis. Por fim, os últimos temas que se referem aos primeiros capítulos do livro são reflexões sobre como o espaço adquire uma vida própria depois de construído, ou seja, como passa de um local intrinsicamente público no projeto a um privado depois de pronto por meio de convenções implícitas desenvolvidas ao acaso por seus usuários ou vice-versa. Esse fenômeno ocorre de acordo com as possibilidades e convites que o espaço proporciona e como ele pode criar um vínculo emocional com o usuário de modo a incentivar um cuidado comunitário ao invés de ser algo de um Outro público, mas impessoal e indefinido. A partir dessa perspectiva, analisamos um corredor mais afastado da Escola de Arquitetura que é mais escondido e menos utilizado, uma vez que só dá acesso a duas salas e fica em uma área mais escura e menos movimentada da faculdade. A conclusão foi que o espaço acaba não sendo convidativo (não tem lugar pra se sentar, iluminação ruim, pouca ventilação, pouca acessibilidade) e, por isso, não atinge seu potencial de passar de um espaço de transição para um de permanência.
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