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Visita ao MHNJB: Exposição de Arqueologia e Presépio do Pipiripau

 
O Presépio do Pipiripau, além de ser uma maquete figurativa de cenas bíblicas feita manualmente por Raimundo Machado de Azeredo, um artista popular que iniciou sua obra com apenas uma caixinha de papelão e aos poucos a transformou em uma cenografia maravilhosa, é um patrimônio belo horizontino porque traz parte da história de BH. Raimundo era residente da cidade e incluiu partes da cenografia local dentro de sua obra, como o Parque municipal e a Praça Raul Soares. Logo, o presépio imortaliza a visão do artista de sua cidade e, assim, reflete como a arquitetura e o urbanismo de uma cidade influencia seus moradores, o que potencializa o valor da obra para o Estado de Minas Gerais.

Já a Exposição de Arqueologia apresenta peças, vestígios fúnebres e artefatos indígenas encontrados soterrados em diferentes regiões de Minas Gerais. Cada item reflete a história e os costumes desses povos, ainda que existam muitas lacunas. Vale ressaltar que a ocupação indígena no Brasil é bem mais antiga do que a maioria dos brasileiros pensa, o que é relevante ao pensar no processo de expulsão desses grupos desde 1500 até os dias atuais, uma vez que eles usufruem do espaço a muito mais tempo, mas não tem os mesmos direitos que os invasores. Além disso, a complexidade e cuidado de produção observados nos objetos provocam uma reflexão sobre o ideal de  superioridade da atualidade sobre o passado. Essa projeção progressista de que as sociedades mais recentes são sempre melhores que as antigas que não passa de uma ilusão. Os nossos antepassados já realizavam práticas semelhantes as recentes com muito menos tecnologias e recursos, demonstrando que talvez fossem ainda mais capazes do que nós, que entramos em constante conflito com as tecnologias classificadas como modernas, facilitadoras e intuitivas. Portanto, a exposição é um verdadeiro estudo da relação entre sociedade e espaço, já que apresenta um reflexo do comportamento social e das técnicas fúnebres e construtivas a partir da análise das ferramentas que eles manuseavam, do clima, do solo, das condições de cada uma dos quatro sítios arqueológicos e dos artefatos pessoais dos grupos indígenas antigos.

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