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Comentário crítico sobre o livro Filosofia da Caixa Preta

 Embora escrito nos anos 80, o livro de Flusser não poderia ser mais atual. Na era das redes sociais, em que tudo só acontece se for registrado e postado online, a humanidade vive mais em função das imagens do que imagens vivem em função dos homens. A mudança iniciada com o surgimento das fotografias perpetua-se até hoje. As pessoas se tornaram incapazes de olhar com os próprios olhos, apenas através dos aparelhos. As imagens perderam sua função de significar conceitos, de trazer intenções humanas e se tonaram loops infinitos e automáticos de significados vazios. Os aparelhos surgiram para emancipar o homem, permitindo-o jogar ao invés de ser submisso a instrumentos, mas a automaticidade dos aparelhos fez com que a humanidade perdesse o controle do jogo. O desconhecimento sobre o que acontece entre o input e o output, o que o autor chamada de caixa preta, permitiu a eliminação do homem no processo de fotografar. O fotógrafo acredita dominar o aparelho, mas suas intenções de nada valem. O homem é dominado pelo aparelho (caixa preta) que, por sua vez, é dominado pela indústria fotográfica(outra caixa preta) que é dominada por uma outra caixa preta cujo input alimenta o output de outra caixa preta e assim por diante, eternamente. Logo, a fotografia se popularizou e se democratizou, mas ao invés de enfatizar a intencionalidade humana, apenas reforçou a incapacidade das pessoas em decodificação e codificação de imagens. Todos estão cada vez mais presos a funcionalidade da câmera, fotografam sempre o mesmo, se transformaram em objetos programados. Diante desse cenário, Flusser discorre, no capítulo final, que a solução para a crise humana na pós-história (período após o surgimento das fotografias), portanto, seria criar uma filosofia fotográfica. Em outras palavras, olhar para a caixa preta, não para desvendá-la e torná-la transparente, mas para desenvolver um olhar crítico não programado que permita ao fotógrafo uma vitória no jogos dos aparelhos e que reinsira as intenções humana nas imagens.


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