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A era da conectividade virtual

Parágrafo crítico sobre as relações que podem ser analisadas entre o texto Animação Cultural, o documentário O Dilema das Redes e o texto A falsa promessa do ChatGPT.

A sociedade do século XXI é caracterizada pelo vínculo virtual. Enquanto no século passado possuir um celular era um luxo, atualmente smartphones são objetos considerados inerentes a todos e não o possuir é visto como uma atitude estranha, quase irracional. Como conseguinte, as relações humanas mudaram. As redes sociais reduziram muitos relacionamentos a conexões virtuais. Nos locais públicos, como praças, shoppings e restaurantes, as cenas são sempre as mesmas: todas as pessoas fixadas na tela do seu aparelho. Duas pessoas conversando além de breves palavras são motivo de espanto. A humanidade não sabe mais viver sem postar porque não são mais capazes de aproveitar o momento pelo que ele é, somente pelo que ele aparenta ser. Logo, percebe-se a dependência humana de um pequeno objeto. Ao mesmo tempo, os algoritmos das redes avançam e entregam aos usuários conteúdos cada vez mais “personalizados”. Em outras palavras, a internet criou bolhas exclusivas para cada indivíduo em que é possível censurar o conteúdo assistido. Cada pessoa só vê aquilo que quer e ignora o restante do mundo e, assim, além de incitar a ignorância, reforça sua dependência virtual. O resultado é a perda do senso crítico e da capacidade de pensamento. A humanidade não quer mais pensar porque com alguns cliques ela pode pesquisar qualquer coisa e vai ser recebida por milhares de informações personalizadas ao seu interesse. E para piorar esse cenário, surge uma tecnologia anunciada como ainda mais espetacular que as ferramentas de pesquisa: a inteligência artificial, uma grande ferramenta para humanidade, mas também uma ameaça à integridade do conhecimento da sociedade. Como máquina, o funcionamento de uma IA é impressionante no quesito capacidade de processamento e sua atuvidade consiste basicamente no acesso a um banco de dados, análise das informações encontradas e realização de probabilidades e cálculos estatísticos para fornecer uma resposta a sua tarefa. Porém, ainda que em termos de armazenamento de informações as IAs superem o cérebro humano, elas possuem uma significativa limitação: sua incapacidade de pensar. Uma IA não consegue desenvolver conhecimento, pois não está em sua programação errar. Está em seu cerne realizar uma tarefa, logo retira informações de um banco de dados e tenta desenvolver uma resposta mesmo que não seja possível. Como é analisado no texto A falsa promessa do ChatGPT: “para estar certo, deve ser possível estar errado. A inteligência consiste não apenas em conjecturas criativas, mas também em críticas criativas. O pensamento no estilo humano se baseia em possíveis explicações e correção de erros, processo que gradualmente limita as possibilidades que podem ser consideradas racionalmente. (Como Sherlock Holmes disse ao Dr. Watson: "Quando você elimina o impossível, o que resta, por mais improvável que seja, deve ser a verdade".) [...]Enquanto os humanos são limitados nos tipos de explicações que podemos conjeturar racionalmente, os sistemas de aprendizado de máquina podem aprender tanto que a Terra é plana quanto que é redonda. Eles apenas lidam com probabilidades que mudam ao longo do tempo.” Portanto, por mais que pareça que o mundo está em direção de ser dominado por objetos, algoritmos e a IA, o controle intelectual ainda pertence a humanidade, pois somente o cérebro humano é capaz “de pensar e expressar coisas improváveis, mas sagazes”.


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