Flusser se utiliza do modelo de discurso revolucionário do Manifesto Comunista para escrever uma sátira em relação a dependência entre objetos inanimados e a humanidade, deturpando o discurso de crítica ao capital para criar um diálogo sobre a hipervalorização dos bens materiais. Assim, constrói, por meio das alegações da Mesa-redonda, a defesa da necessidade de suprimir a cultura sob o pressuposto da existência de um direito de supremacia dos objetos em relação aos humanos. Por conseguinte, provoca o leitor a questionar o papel do objeto na vida humana: são eles dependentes da criatividade humana ou o inverso? A nossa cultura produz os objetos ou ela é um mero reflexo da influência deles em nossas vidas? Será, portanto, que houve a inversão de papéis? Os objetos estão realmente destinados a nos dominar? Viveremos para servi-los e não o contrário? A tecnologia é cada vez mais presente no dia a dia humano, os smartphones são como extensões de nós mesmos e a inteligência artificial se tornou uma ameaça a mão de obra humana, inclusive no campo sensitivo e artístico que antes era exclusivamente humano. Mas seria a arte criada por uma máquina, arte? E se for, seu banco de dados surge do conhecimento humano, logo, ainda é dependente das pessoas. Além disso, o texto vem em defesa da objetividade, da ciência sem valores, mas será esse a realidade em que queremos viver? Qual o impacto da perda da subjetividade, da animalidade, do que é inerentemente humano? Talvez a melhor resposta seja a constante dúvida. Não cabe a nós subjugar os objetos nem eles dominarem a humanidade. A relação de causa e consequência é muito simples para explicar a interação homem/objeto no mundo contemporâneo. Por isso, cabe as pessoas permanecerem questionando, pois essa é a única garantia de permanência da nossa sociedade. O segredo da vida é sua origem misteriosa. As respostas certas são úteis, mas são as perguntas certas que fazem a vida valer a pena. Esse é o dom da humanidade: indagar sobre mundo, porque as respostas realmente importantes nem mesmo o CHATGPT é capaz de decifrar.
Estudante de Arquitetura & Urbanismo
Comentários
Postar um comentário